“Sementes”

“Sementes”

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Ando pelas ruas
Só. Como quem procura o desconhecido
Por entre texturas antes nuas
Costuro o grande tecido

O caos de dentro
Que a cidade me traz
Reconhece-se no que passa fora
E de certa forma, fico em paz.

Um velho pergunta-me: Quem tu és?
Enquanto crianças jogam pelada
Sobre paralelepípedos desuniformes
E sem uniformes, chutam bolas de nostalgia
aos meus pés

Domino como ninguém o jogo do tempo
Ouvindo Paulinho ecoando por dentro…
Respiro fundo o centro
Sento, e peço: Tempo.

Substituo a aflição
E sigo agora com direção
Ao centro de mim
Do Brás à Luz
Numa viagem sem fim

Entre meu passado e meus presentes
Vendo crescer as sementes
Plantadas em meu jardim
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Gabriel Kieling