“Ecoa”

“Ecoa”

Ôôô ôôÔ Ôôôô ôÔô. (canto)

É um eco a dor
Ecoa ó
Ó ó ó…
Ecoa dor
DÔR Dor dor..
Coada em água e sal
Salgada lágrima de coador
Côa e ecoa dor
O grito é alto, berro
Pra se fazer ouvir
Marca no boi a ferro
Pra em sossego homem dormir
Fiquei sabendo
Que quem não se arrisca
Não pode berrar
Que quem risca
Não pode errar
Que faísca que trisca
Pode queimar
E que arisca não segue a risca
O que querem ensinar
Por isso berra
E não erra
Em se fazer escutar
Opressor vestido de branco
Deve mesmo em silêncio escutar
E a boca que não pensa
A fala calar
Ecoa meu eco negro
Num canto de dor
Um soluçar do meu índio guerreiro
E quem ouviu?!
Um lamento triste sempre ecoou
Um canto de revolta pelos ares
Negro entoou
Ecôa dô

Ôôô ôôÔ Ôôôô ôÔô (canto)..

Ecoa noite e dia
E esse canto que devia ser de alegria
Soa mesmo como um soluçar de dor
Um berro
Ensurdecedor
Ensurdece a dor
Que cansada de se ouvir doer
Faz surda mas não cega
A dor do ser
Surdo ser
Extremo ser
Que vem dos extremos
E te faz estremecer
Marginal à margem
Extrema do ser
Passa por cima e finge não me ver
Vai pra rua vestido de festa
E não contesta
O que recebe da tv
Pelo contrário atesta
Seu papel de marionete
Entre uma e outra selfie
Marchando sem porque
Se faz surdo
porque não escuta os ecos
Ainda tem sangue
em baixo dos tetos!
Escuta ó
Ó! ó! ó!
Escutô?!

Ôôô ôôÔ Ôôôô ôÔô (canto)

Põe o ouvido na história e escuta
Os olhos na história e escuta
Quer ser patriota
Filho seu que vai a luta
Mas não passa de um idiota
sem causa, apenas calça, justa
Enquanto ecoa peço pai
Paciência, Paciência
Pai ciência!
Não tá fácil ser
Sócio dessa sociedade
Que é melhor ter
Foda-se se tem alguém ao lado sem o que comer
Meus olhos não querem mesmo ver
Que importa se morrer do meu lado de fome..
Nem precisei ver seu erregê
Só pela cara sei que não tem sobrenome…
É difícil verscutar a dor do outro
Mais fácil bater nela
Agredir panela
Quando a globo mandar
Tentar da varanda ao quarto
O inox ecoar, sem o filho acordar
Mentir no imposto de renda
A receita pronta da fazenda
Prum extra “ganhar”
Corruptor e corrupstado
Lado a lado
E cê não ouve?
Não escuta mesmo?!
Ouve o toque do meu tambor!
Quilombo dos Palmares
Longe prôce
Aqui diariamente dentro ecoa dor
Dentro do meu ser
Larga mão do seu bibelô
Valoriza sua raça e cor
Quem te deu amor
Essa panela que a sua mão
nunca antes pegô
Mas que tantas outras
já te alimentô
Vá pra rua, mas com ideal
O país é muito mais que seu umbigo e seu quintal
Um dia seu filho vai sentir vergonha
Dessa sua fotinho de verdeamarelo
Estampando manchete no jornal
Sorrindo ou fazendo cara de mal
Xingando a presidenta no tele nacional
Pedindo intervenção mi mi militar
Basta de Paulo Freire?!?!?!
Melhor mesmo calar a boca
Por que as que no passado
tentaram calar
Quer queira quer não queire
Hoje berram, urram
O que cêis não querem
Mas devem escutar!

Ôôô ôôÔ Ôôôô ôÔô (canto)

Gabriel Kieling

f: autor desconhecido