“Confronto”

“Confronto”

travesseiro de penas
noites pequenas
cobertor térmico
é ter me confortável
pensamento sistêmico
coração inflável

levanto contrariada, hostil jornada
nove horas teclando pro mundo, parada.
fingindo resolver problemas
que nunca serão meus
alimentando dilemas
procurando sem encontrar,
deus.

operando a mecânica de
um sistema burosádico
crático, sádico, burro.
se fosse sobre amor
entenderia um pouco mais fácil
aquele recorrente urro,
te amo.

veja só que sorte:
ticket, horinha pra ração
cigarro de palha é ouro
em tempo que falha, combustão
hiato entre o tédio
e mais um remédio
pra baixar pressão

vivem me dizendo
que preciso de um futuro
enquanto só penso
se o fruto que como é puro
que o homem que desejo
não é maduro
e se essa vida não virar história e concreto?
se não der pra comprar um apê na praia…
melhor mesmo acampar no deserto.

ó que nem sempre vão oferecer
todo um pacote de benefícios:
(fogos de artifícios)
– seguro pra uma vida que não vivo
– vale transporte além de coletivo
– um desses ‘bons’ planos de saúde me pergunto,
tem cobertura pra falta de riso?
é isso mesmo senhor, que preciso?

numa carteira carimbo
na outra cifrões que só sabem sumir
no muito um pingado, uma cachaça
ou prum faz-me-rir
e sempre mais um imposto
combo composto
de coleira, código de barras
meu peito cheio de amarras
enquanto meu olhar diplomático
assina o semtrato em
débito automático

mesa, cadeira de design arrojado
calcula a dor? computa, amor?
samba gelado.

do meio metro enquadrado
em baixo do ar, assim como eu, condicionado
tentando ver um pedaço do céu
vivo caçando as teclas:
crtl+alt+del

 

parceria, gratidão Carol.

Carol Araujo + Gabriel Kieling

f: filippo minelli